Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Patrimônio da Humanidade, chegaremos la!

Governador Marcelo Deda. Foto: Marcio Dantas/ASN

Durante a festa da Emancipação Política de Sergipe, ocorrida em São Cristóvão, no último dia 8 de julho, o governador Marcelo Deda declarou que não medirá esforços para transformar a praça São Francisco em Patrimônio da Humanidade http://emsergipe.globo.com/multimidia/?id=29780 Nesse sentido, anunciou obras recomendadas pela UNESCO. http://www.agencia.se.gov.br/noticias/leitura/materia:14264

Wellington Dias, governador do Piauí, e Eduardo Campos, governador de Pernambuco, foram homenageados e declararam apoio a candidatura sergipana. http://emsergipe.globo.com/multimidia/?id=29784

A decisão final está prevista para junho de 2010, em Brasília, quando o Comitê do Patrimônio Mundial julgará a propositura e o compromisso das entidades envolvidas com a preservação do centro histórico de São Cristóvão.

Relatório de atividades - fevereiro de 2008 a julho de 2009


Durante festa da Emancipação Política de Sergipe, ocorrida em São Cristóvão, no último dia 8 de julho, a Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade entregou ao governador Marcelo Deda um alentado relatório de suas atividades. De acordo com o professor Thiago Fragata, coordenador, “o documento comprova ações desenvolvidas junto a população sancristovense visando a preservação do rio Paramopama e a divulgação do patrimonial cultural da cidade, além de um abaixo-assinado reunindo 2700 assinaturas”.

Confira o texto integral:

RELATÓRIO DE ATIVIDADES
(Fevereiro de 2008 a julho de 2009)

Após reunião ocorrida na Igreja de Nossa Senhora do Carmo de São Cristóvão, dia 14/02/2008, onde o arquiteto Marco Antônio de Faria Galvão apresentou o documento complementar da propositura, formou-se a Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade com o objetivo de mobilizar a sociedade sergipana e divulgar a campanha da referida praça à condição de Patrimônio Mundial junto a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Por unanimidade, José Thiago da Silva Filho foi eleito coordenador das atividades. O historiador Thiago Fragata - como é conhecido-, foi autor do texto “Memória e cotidiano da Praça São Francisco de São Francisco”, incluso na Proposição de inscrição da Praça São Francisco da São Cristóvão na lista do Patrimônio Mundial. (http://thiagofragata.blogspot.com/2008/02/textos-arrolados-na-proposio-de-inscrio.html)

Em conjunto com os parceiros das instituições públicas e organizações civis foi cumprida agenda de atividades que ora justifica o presente relatório. Esses parceiros são: a Paróquia Nossa Senhora da Vitória; a Prefeitura Municipal de São Cristóvão (PMSC) através da Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água e da Secretaria Municipal de Educação; o Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional (IPHAN), a Assembléia Legislativa de Sergipe (Deputado Professor Wanderlê), o Rotary Club São Cristóvão, a União Municipal dos Estudantes de São Cristóvão (UMESC), Oxogum Ladê - Rede Ambiental Ewé Lará, ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Fundação Aperipê, Monumenta (SEINFRA), dentre outros.

Algumas iniciativas dos parceiros merecem destaque. Camisas, folderes e faixas patrocinadas pela Prefeitura Municipal de São Cristóvão marcaram os eventos festivos, como a Festa de Senhor dos Passos (16 e 17/02/2008), a Corrida São Cristóvão/Aracaju (17/03/2008) e os jogos do campeonato sergipano de futebol. O “Manifesto Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade”(http://thiagofragata.blogspot.com/2008/02/manifesto-pr-candidatura-da-praa-so_27.html) elaborado pela Comissão foi amplamente divulgado pela Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água, bem como o abaixo-assinado “Quero a Praça São Francisco Patrimônio Mundial” que reuniu cerca de 2700 assinaturas.

A parceira da Universidade Federal de Sergipe (UFS), através do CESAD, viabilizou a produção do vídeo-documentário “São Cristóvão: Patrimônio da Humanidade” (http://www.youtube.com/watch?v=nZBBBcDp1fw&feature=related). O referido documentário foi exibido pela TV ALESE, TV SERGIPE (Via Fundação Augusto Franco) e TV CAJU. No ato solene dos 40 anos de serviços prestado pela Universidade Federal de Sergipe a sociedade sergipana, o Magnífico Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho apresentou moção de apoio à campanha.

As emissoras de radiodifusão Princesa da Serra FM, Rádio Liberdade AM, MILLENIUS FM e Radio Cultura divulgaram VT sobre a campanha da praça candidata para todo o Estado de Sergipe. Tanto a Revista Viva Mais (março 2008) quanto a Revista Destino Brasil (linkabril 2009), as duas de circulação nacional, divulgaram matérias sobre as expectativa e a importância do pleito internacional.

A candidatura da praça existente na quarta cidade mais antiga do Brasil repercutiu na Câmara dos Deputados em Brasília. Em abril do ano passado, o Deputado Federal Professor Iran Barbosa (PT-SE) demonstrou preocupação com o andamento das obras da Praça São Francisco, destacando a importância do certame internacional para o desenvolvimento cultural do menor Estado da federação brasileira. Infelizmente, a obra da fiação elétrica e telefônica subterrânea ainda não foi concluída, está parada desde setembro de 2008.

Em março daquele ano, o Deputado Estadual Professor Wanderlê Correia (PMDB-SE) realizou pronunciamentos na Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe acerca da importância do reconhecimento da praça sancristovense como Patrimônio da Humanidade. Através da aprovação em plenária do seu Requerimento N. 84/2008, o coordenador da Comissão, Thiago Fragata, foi convidado para esclarecer aos parlamentares, a grande imprensa e a sociedade sergipana o que o pleito representa para o progresso do Estado. (http://www.agenciaalese.se.gov.br/agenciaalese/interna.wsp?tmp_page=interna&tmp_codigo=1468&tmp_secao=2&tmp_topico=NOTÍCIAS)

O pronunciamento do coordenador da campanha Pró-candidatura da Praça São Francisco de São Cristóvão a Patrimônio da Humanidade ocorreu no dia 3/04/2008, sendo veiculado ao vivo pela TV ALESE, repercutindo positivamente na sociedade sergipana. Matérias impressas e televisivas foram produzidas sobre o pleito internacional. Esse pronunciamento foi re-exibido pela mesma emissora e se acha disponível na internet. (http://thiagofragata.blogspot.com/2008/05/pronunciamento-na-assemblia-legislativa.html).

A efetivação do Plano Diretor Participativo de São Cristóvão é uma preocupação da Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade pois esse constitui um pré-requisito para o sucesso na eleição. Recentemente, a TECHNUM CONSULTORIA, empresa contratada pela Prefeitura Municipal de São Cristóvão para elaborar o plano diretor, encerrou o calendário de audiências públicas e a formatação da proposta. O projeto aguarda votação na Câmara Municipal de Vereadores.

Além da efetivação de um plano diretor, outras recomendações foram pontuadas na 33ª. sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, ocorrida em Quebec, no Canadá, em junho de 2007. A necessidade de um projeto de saneamento básico para os bairros que despejam eflúvios no rio Paramopama é uma delas. Como desdobramento, há duas semanas foi aprovado na Câmara Municipal de Vereadores de São Cristóvão um projeto de esgotamento sanitário para o centro histórico a ser coordenado pela DESO. Entendemos a importância da intervenção que promoverá qualidade de vida para população e amenizará a poluição do rio mais importante da cidade. Esperamos que esse projeto, assim como o da fiação subterrânea, da duplicação da rodovia João Bebe-Água, sejam concluídos em tempo hábil.

Em junho de 2010, Brasília sediará a 34ª. sessão do Comitê do Patrimônio Mundial. Dessa forma, nosso grupo de trabalho tem realizado e/ou participado de projetos e ações de Educação Patrimonial e Educação Ambiental junto a sociedade sancristovense. Destaco: a) Ciclo de palestras São Cristóvão: conhecendo Nossa História (http://www.correiodesergipe.com/lernoticia.php?noticia=32475), b) Pesca Ecológica de Pneus (link), c) Semana e Caminhada pelo Meio Ambiente de São Cristóvão (http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=28588), d) Pesquisa de Opinião: a Praça São Francisco é do Povo, e) projeto Cinema na Praça - São Cristóvão na Tela (http://www.jusbrasil.com.br/politica/2741234/aperipe-tv-exibe-documentario-no-projeto-sao-cristovao-na-tela)

Nos últimos meses, a Comissão tem participado de eventos diversos nas praças, escolas e universidades, divulgando a causa e seu manifesto, colhendo assinaturas, palestrando, enfim, sensibilizando a população sergipana por entender que a Praça de São Francisco Cristóvão constitui um patrimônio a ser compartilhado com todos. A candidatura foi tema de intervenção nos seguintes eventos: II Semana de Extensão da Universidade Tiradentes/UNIT, 15/04/2007 (http://www.unit.br/unit/ler.asp?id=6814&titulo=Noticias; Palestra da candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade no Centro de Formação e Educação Tecnológica-CEFET, 27/06/2007, (http://www.cefetse.edu.br/index.php?option=com_content&task=view&id=639&Itemid=70); Ciclo de palestras do Memorial do Poder Judiciário de Sergipe – Do Rio Real ao São Francisco: Sergipe e suas Histórias (23/10/2008); Encontro Regional de Estudantes de Museologia, Campus de Laranjeiras – EREMU (11/06/2009), dentre outros.

Este relatório comprova o empenho de abnegados cidadãos numa luta que deve interessar a todos os sergipanos, pois a chancela internacional da UNESCO, entendemos, trará progresso e desenvolvimento para o nosso Estado. Assim, agradecemos nominalmente a Cleverton Costa Silva, Bispo José João Costa (Ceará), Sócrates de Andrade Prado, Ana Cristina Molina da Silva, Morgan Prado, Alex Rocha, Padre José Bernardino de Santana Filho, Maria Helena Santana, Deputado Estadual Professor Wanderlê, Deputado Federal Iran Barbosa, Edmilson Celestino, Eliane Maria Silveira Fonseca de Carvalho, Maristela Tomás, Sergio Oliveira, Rildo Cavalcante, José Lucio Batista Silva, Robervan Barbosa de Santana, Adevanilson Castor, Pitágoras Andrade e Tatiana Costa.


São Cristóvão/SE, 8 de julho de 2009.

José Thiago da Silva Filho
(Prof. Thiago Fragata)
Coordenador

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

SÃO CRISTÓVÃO NA TELA



Próximo sábado (4/7), a TV Aperipê irá exibir vídeos educativos em São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil. A ação ocorrerá na Praça São Francisco, candidata ao título de Patrimônio da Humanidade, a partir das 18:00 horas. Sensibilizar a sociedade para a questão da educação patrimonial é o foco do projeto São Cristóvão na Tela que tem como parceiros a Comissão Pró-candidatura, a paróquia Nossa Senhora da Vitória e a Prefeitura Municipal da cidade histórica. O ato inaugura campanha de divulgação prevista para encerrar em junho do próximo ano, quando a UNESCO irá julgar a candidatura sergipana.




Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Aglaé Fontes palestra aos professores de São Cristóvão

Agláe Fontes palestra aos professores

Vereador Paulo Roberto entrega certificado de participação
Secretário de Educação, Morgan Prado, oferta doces típicos

No último sábado, 6/6, a professora Aglaé Fontes proferiu palestra "São João: festa do povo", dentro do Projeto São Cristóvão: Conhecendo nossa História. O projeto é coordenado pela Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE) e União Municipal dos Estudantes (UMESC). Confira abaixo a reflexão da professora Aglaé Fontes.

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SÃO JOÃO: FESTA DO POVO

RITUAL DE APADRINHAMENTO

São João dormiu
São Pedro acordou!
Fulana(o) é minha(meu) comadre(compadre)
Que São João mandou!!!

Verso da BRINCADEIRA DE COMPROMISSO. Dela participavam: compadres, comadres, afilhados, padrinhos, madrinhas. Fogueira ardendo, passagem sobre as brasas, repetição dos versos. Era assim que antigamente se brincava na noite de São João.

MOÇAS CASADOURAS - CRENDICES E SUPERSTIÇÕES AS SIMPATIAS
Na noite de São João jogue um ramo de manjericão no telhado, depois de passado na fogueira. Se no outro dia estiver verde, você vai casar com moço. Se tiver murcho, vai se casar com velho.
na noite de são joão dá-se nó nas quatro pontas de um lençol, tendo antes escrito nelas os nomes de quatro rapazes queridos. Ao amanhecer, o nó que estiver desmanchado tem o nome da pessoa com quem vai se casar.

num prato com água se coloca vários papéis com nomes. No outro dia ver o papel que abriu e ler o nome escrito, que será o da pessoa com quem vai casar.


SIMPATIAS:
repetição de um ato que pode levar a realização de algo desejadoMotivo: crendices, crédito, valor religioso e apelo popular.
O Fogo e as superstições:
- quem cospe fogo adoece o pulmão.
- quem brinca com fogo mija na cama.
- quem queima couro fica pobre.
- quem urina no fogo fica doente dos rins.
- quem queima os cabelos fica doido.
- quem apaga o fogo com água perde a sorte.


COMO TUDO COMEÇOU?
COSTUMES PRIMITIVOS

Na antiguidade, dentre as festas louvatórias uma se destacava pela união de pedidos feitos aos deuses, tendo como resultado a fertilidade da terra e a conseqüente fartura à mesa.
A natureza, representada pela interferência dos deuses, era pródiga com o povo. Era o Solstício de verão. Para quem não se recorda a palavra solstício, que vem de SOL tem uma significado especial.
Solstício: inclinação astral que o sol, nos períodos de 22 e 23 de junho e 22 e 23 de dezembro passa e que provoca grandes diferenças na natureza.


CALENDÁRIO SOLAR: JUNHO: SOLSTÍCIO DE VERÃO
DEZEMBRO: SOLSTÍCIO DE INVERNO
E se o tempo foi propício, à entrada do verão festas e louvores eram realizados para agradecer em forma de: cantos, danças, bebidas, oferendas, sacrifícios humanos ou animais.
A presença do vinho liberava os instintos e os excessos aconteciam, provocando liberdade erótica e fertilidade humana.

O costume louvatório, aliás estava presente entre os povos, não só quando a terra se abria em fartura, mas também quando enfrentavam: BATALHAS, PESTES, TORMENTAS
REFLEXÃO: Se fizermos uma leitura nos costumes dos povos em sua trajetória, vamos encontrar a presença de comportamentos louvatórios nas formas mais diversificadas, como diversificados também eram os deuses em suas proteções.
EXEMPLOS: na Grécia antiga, DIONÍSIO, o deus que protegia a arte, era louvado com cerimônias envolvendo sacrifícios e ainda verdadeiras orgias com vinhos e danças.
ATENAS ou MINERVA
AFRODITE responsável pelo amor e a fecundidade
Deve-se neste olhar sobre a cultura dos povos, destacar as cerimônias dedicadas ao deus APOLO, que dominou séculos a vida social e política dos gregos e era considerado além de possuir uma beleza perfeita, como o deus da música e da poesia.
Pois quando tocava as cítara acalmava as forças sub-humanas além de pregar um espírito pacífico entre os povos. Como também não causa estranheza a presença de danças, cantos fogo e a orgia provocada pelo vinho nas comemorações do solstício, em louvor aos deuses que foram complacentes e atenderam os pedidos.
Não é nosso propósito aqui, discutir a dualidade entre o sagrado e o profano, mesmo porque sempre haverá um lado sagrado no profano como haverá algo herdado do profano que se sacralizou.
Se tivermos olhos de ver, ao invés de olhos de olhar, vamos descobrir que na cultura de cada povo há uma matriz que se fez caminhante influenciando culturas diversificadas e distantes.


PRECISAMOS SABER DE QUE FORMA AS NOSSAS ORIGENS NOS LIGAM A HUMANIDADE,
como podemos observar nos nossos festejos juninos é pleno de sagrado e profano.
Precisamos saber quais as nossas diferenças étnicas e culturais.
Precisamos ter um olho diversificado para ver o mundo e o entorno que nos cerca.
Precisamos estabelecer diálogos significativos para a construção da nossa identidade.Precisamos descobrir as relações entre história, costumes e o imaginário que nos une.
Precisamos na verdade ter olhos pensantes sobre as coisas e as gentes.
Precisamos não perder o significado das nossas tradições híbridas porque não só nossas, mas vindas das várias etnias que nos formaram.


O SAGRADO TEM COISAS DO PROFANO
ADVENTO DO CRISTIANISMO =
UM SÓ DEUS = MONOTEISTA
IGREJA LUTA CONTRA RELIGIÕES POLITEISTAS = VÁRIOS DEUSES
A festa do solstício de verão, nos seus agradecimentos louvatórios punham em destaque não só os sacrifícios, mas o erotismo, as danças as bebidas provocadoras de liberações que feriam a filosofia cristã. Por isso mesmo consideradas profanas e inadequadas às normas moralizadoras e controladoras do cristianismo.
A Igreja, precisava combater a festa do SOLSTÍCIO apresentando um novo sentido à comemoração, fugindo da aglutinação de cultos pagãos que caracterizavam a cerimônia.
O Solstício de verão europeu coincidia com o nosso inverno, época também de fartura á mesa com forte influência agrária. Assim, os elementos foram modificados.


PRESENÇA DOS SANTOS

O período comemorações religiosas: novenas, tridos, trezenas, procissões. A Igreja jogou um véu cristão sobre a festa profana descobrindo a presença de alguns santos para marcar o seu calendário.
SÃO JOSÉ - 19 de março
Foi aquele que preparou o caminho da colheita, da fartura do período. O dia de S. José é o dia de plantar e se chover no dia é sinal de alegria na terra.
Artífice de Nazaré, conseguiu também inspirar lendas como a do Cajado florido e da
Boa morte
SANTO ANTÔNIO – 13 de junho
Nascido Fernando de Bulhões em Lisboa dia 15 de agosto de 1195, tendo morrido a 13 de junho de 1231 em Pádua. Professor de teologia em muitas universidades da Europa.
Tornou-se franciscano e dedicou a sua vida a pregar o Cristianismo defendendo sempre os pobres e necessitados.


VERSOS PARA SANTO ANTÔNIO: O SANTO CASAMENTEIRO


Meu Santo Antonio querido
Meu santo de carne e osso
Se tu não me dás marido
Eu não te tiro do poço.

Ninguém se queixa da sorte,
que Santo Antônio disse assim:
Às vezes, quando se atrasa,
Vem um anjo no caminho.
Não quero Santo Antônio grande
Dentro do meu oratório,
Eu quero é um pequenino
Que ouve os meus peditórios.

Pra que Santo Antônio grande
Dentro do meu oratório?
Eu quero é o pequenino,
Que faz os meus peditório.
Santo Antônio pequenino
Mansador de burro bravo
Vem amarrar minha sogra
Que é levada do diabo.

Santo Antônio
Santo Antônio
Abaixai-me esta barriga
Que não sei o que tem dentro
Se é rapaz ou rapariga.
Santo Antônio me case já
Enquanto sou moça e viva
O milho colhido tarde
Nem dá palha nem espiga.


RELATO BÍBLICO
LENDA: Fogueira "mandarei plantar nesta montanha um mastro e acender uma fogueira"
SÃO PEDRO E SÃO PAULO (29 de junho), morte dos dois.
Pedro: seguidor de Cristo e fundador da sua Igreja
Paulo: opositor convertido na estrada de Damasco. (não é lembrado como santo junino!)
Pedro anunciando a salvação em Cristo se fez corajoso enfrentando prisões, acoites e permanentemente perseguido. Arrastados ao tribunal foram condenados a morte. Paulo decapitado fora dos muros de Roma. Pedro, pregado na cruz perto da Colina Vaticana. Sua vida é lembrada não só através das cartas que escreveu aos romanos, aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipensens, Colossenses e Tessalonicenses
"Levai as cargas uns aos outros e assim cumprirei a lei de Cristo" (Gálatas-6.2)


1500 – BRASIL x PORTUGAL
Colonização fortemente influenciada pela fé católica trazendo os costumes louvatórios aos santos católicos, nos diz Luis Antônio Barreto:
"No culto junino, os santos perderam de algum modo, suas qualidades individuais em favor do coletivo, o que faz da festa um compacto de fé e devoção realçando a importância do ciclo para a relação da igreja com o povo". (In Três Santos Juninos, de Luiza Costa Nascimento)
Na ampliação da relação da igreja com o povo, muitas festas e celebrações de origem coletiva se posicionaram sempre como uma celebração da:VIDA MORTE RESSURREIÇÃO
Significando um recomeço de vida. Ao estudar estas relações não se pode negar a forte influencia européia,entendendo-se entre os nascer,morrer e reviver como uma parte simbólica das próprias comemorações: seca / fartura / esperança

Assim, as questões da região estariam sempre marcadas com uma relação com a natureza. Muitos dos ritos europeus antigos se adaptaram ao regime dos problemas de água, seca, fartura, pobreza – sem deixar porém de receber forte contribuição indígena, africana e posteriormente das migrações.

Os padres da Companhia de Jesus que para aqui vieram e permaneceram desde 1759 – quando foram expulsos pelo Marquês de Pombal deixaram marcas profundas. Embora dominadores terminavam por desenvolver uma forte aptidão. Numa série de ritos, cerimônias e celebrações de grande significado cultural: novenas, trezenas, procissões, festa dos oragos, festas populares.
A tônica religiosa desenvolveu uma "concepção dramática da natureza, integrando elementos do profano e do sagrado." E aí se projeta uma questão o desafio os pesquisadores, historiadores das religiões, antropólogos, sociólogos e psicólogos cada à sua vertente para analisar as estruturas particulares da festa considerada: profana e/ou sagrada.

O CICLO JUNINO - ESPAÇO CULTURAL DE INTEGRAÇÃO
A – Religiosidade popular
Procissões
Novenas
Trezenas
Missas
Oragos e suas ações
B – Lado Profano
Danças
Cantos
Superstições
Simpatias e adivinhas
Comidas e bebidas
Cores e formas
Fogos
Festas espontâneas e
programadas
DANÇAS
QUADRILHA – QUADRILLE
Por volta de 1820 a quadrilha já era dançada no Brasil. O costume vindo da Europa, como dança aristocrática, trazia porém a influência de antigas danças folclóricas da Inglaterra, onde desde 1815 já era dançada, sendo porém de origem francesa.
Surgida na França no séc. XVIII, a quadrilha originalmente se resumia a seis passos: pás d’ete, poule, pastourelle, pantaloon, boulangère, terminando com o galope.
Na era Napoleônica ela era muito popular. Veio para o Brasil pelas mãos dos mestres de orquestra de danças francesas, para animar as festas da corte.


PRINCIPAIS PARTES DA QUADRILHA
1. alavantú
2. anariê
3. damas ao centro
4. mão de cavalheiro
5. cavalheiros ao centro
6. preparar para o jabaculê
7. ralar o milho
8. cesta de flor
9. par de aliança
10. passeios dos namorados
11. caminho da roça
12. preparar para o grande círculo
13. chan de mão
14. coroá suas damas
15. travessê de zing-zag
16. preparar para o granchê
17. grande x
18. o caracol
19. o arco-íris
20. o beija-flor
21. a cobra
22. cara dura
23. balance geral
24. mexer farinha
25. cavalheiros por fora, damas por dentro
26. o túnel
27. travessê geral
28. quebrar o caranguejo
29. as três partes do xote
30. a valsa
31. travessê de cavalheiros para cumprimentar as damas
32. xaxado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Quadrilhas juninas sergipanas, hoje, fazem releituras através da: coreografia, trajes, músicas A

CULTURA DE EVENTOS E O CICLO JUNINO

Evento é "instrumento de comunicação e um dos elementos mais poderosos da estratégia comunicacional". Cristina Giácomo
Os eventos influenciam a opinião pública. Viabilizam a oportunidade de evidenciar:Empresas, cenários, vendas, relações públicas, visibilidade de produtos

O CICLO JUNINO COMO EVENTO
Questionamentos: - Tradição e modernidade- Aspectos positivos e negativos
COMO FAZEMOS?
Trabalhamos a memória? Integramos a tradição? ou Destruímos nossa identidade?
A resposta fica com você!

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009


Sábado, 23 de Maio de 2009

São João na escola será tema de palestra

Aglaé Fontes falará sobre o São João aos professores de São Cristóvão


No dia 6 de junho do ano corrente, a professora Aglaé d’Ávila Fontes, grande estudiosa do folclore nordestino, concederá a palestra "Festejos juninos em sala de aula", no terceiro módulo do Projeto Conhecendo Nossa História, iniciativa da Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Cristóvão, União Municipal de Estudantes (UMESC) e ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE). A palestra direcionada aos professores e pesquisadores da cultura nordestina ocorrerá no auditório do Museu de Arte Sacra a partir das 14:00 horas.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Vesta Viana: naif de São Cristóvão

Vesta Viana na companhia do amigo Jorge Amado.

Por Thiago Fragata*

Sancristovidade é analogismo para designar a simpatia, o bairrismo e mesmo a inspiração que visitantes e artistas recebem da histórica São Cristóvão. Assim podemos definir a relação entre a artista plástica Vesta Viana e a cidade natal. Ainda menina, estudante do Grupo Escolar Vigário Barroso, nos idos de 1960, ela descobriu a mágica das tintas com a saudosa Professora de Artesanato Maria Rodrigues. Assim, da fascinante gradação de cores primárias e do entranhado amor à cidade histórica nasceu sua arte.

No início de 1970, Jorge Amado e Zélia Gattai passearam pelo nordeste e, como o umbigo do saudoso escritor está enterrado em Estância, não esqueceram de Sergipe.[1] Na estada, foram até São Cristóvão, a 4ª cidade mais antiga do Brasil. A História e a cultura da vetusta ex-capital fascinaram o casal que resolveu degustar os ares e os doces coloniais durante dias. Num assédio à casa n. 54, da rua Frei Santa Cecília, onde a dona Noêmia Soares Viana comercializava seus doces típicos, o ilustre casal descobriu Vesta Viana, pintando casarões e igrejas centenárias em meio ao florido jardim. Na ocasião, a jovem artista presenteou seu “cavaleiro da esperança” com uma de suas telas.

De volta a Salvador, durante entrevista sobre as impressões da viagem, o autor de Gabriela, cravo e canela comentou a respeito da “jovem artista, meiga, ingênua como os traços retangulares de sua pintura primitivista que ganhou sua atenção, lá na antiga São Cristóvão, cidade retratada em suas linhas e cores.”[2]

As considerações do escritor baiano acerca da menina sancristovense geraram um frisson na imprensa baiana, massificado após o roubo da obra que o escritor ganhara da artista. O caso não foi levado à justiça mas teve um desfecho inusitado. O próprio Jorge Amado esclareceu o sumiço do quadro de Vesta Viana da sala-de-estar de sua residência: “Foi Dorival Cayme, interessado na arte primitiva de Vesta, quem surrupiou o quadro presenteado. Cayme confessou a autoria dias depois, alegando que tomou conhecimento da artista sancristovense através da propaganda do compadre lesado”.[3] Diante da repercussão do fato, a edição especial da Revista Manchete, veiculou a importância de conhecer São Cristóvão, em Sergipe, seu acervo arquitetônico e uma artista: Vesta Viana.

Assim, 1970 figurou como ano-chave na vida da “artista primitivista”, segundo conceito de Jorge Amado. Alguns especialistas cunharam de primitivista, original, desprovida de perspectivas e academicismo, a arte naïf. A propósito, Philipe Jean Marie Meilhac atenta que “irmana-se, até certo ponto, a arte naïf com a arte popular. Em ambas, o artista projeta na sua criação a mitologia peculiar a sua cultura, a sua terra, a sua gente”.[4]

Os fatos citados oportunizaram o sucesso de Vesta Viana. Com o advento do Festival de Arte de São Cristóvão, que teve sua primeira edição em setembro de 1972, ela teve sua obra consagrada. O FASC, momento e epicentro das expressões artísticas do Brasil, virou cenário onde a artista nativa e suas obras desfilaram com desenvoltura. Em discursos de abertura, exposições coletivas e individuais, debates e cursos ministrados, a naïf brilha, pinta, acontece nas décadas de 1970 e 1980. Mesmo sem formação acadêmica, Vesta Viana teve o reconhecimento de especialistas e críticos que fizeram de sua obra um objeto de pesquisa. Antônio Olinto e Zora Seljan, por exemplo, chegaram a encomendar de Londres os quadros de Vesta Viana.[5]

Para saciar a fome da clientela pela sua arte - ela quase não desgarrava do pincel no mês do FASC - Vesta Viana montou ateliê em sua casa. Daí seus quadros difundiram-se pelo mundo, entre os anos de 1972 e 1986. Em Portugal, sua obra pode ser encontrada no Museu de Arte Primitiva de Guimarães.

Em 1981, o fotógrafo Antônio Pereira organizou a exposição “Aracaju e sua gente” onde estampou a arte de uma série de artistas sergipanos, dentre os quais destacava-se as telas da artista sancristovense. Somando os dados coligidos em acervos e entrevistas, foi possível montar o seguinte roteiro curricular:

1971 - Exposição individual no Museu de Sergipe, em São Cristóvão,
1972 - Exposição Individual no Ateliê (I FASC),
1973 - Exposição Coletiva, onde recebeu o Prêmio Assis Chateaubriand (II FASC),
1975 - Exposição Individual no Ateliê (IV FASC),
1980 - Exposição Individual no Museu de Sergipe (XIX FASC),
1982 - Exposição Coletiva do Natal realizada na Galeria de Arte J. Inácio, em Aracaju,
1986 - Exposição Coletiva realizada no Cultart, em Aracaju.

Seu ateliê funcionou até 1985, era um laboratório e exposição permanente de sua obra. Fui seu aluno num curso de pintura, no ano de 1990, promovido pelo Centro de Artes Aloísio Magalhães, instituição que dirigia com muita competência.

Até o ano de 1995, o FASC teve o patrocínio do Governo Federal, foi planejado e executado pela Universidade Federal de Sergipe, figurando como “momento, a cada ano, onde a música, o teatro, o cinema, a escultura e a pintura eram celebrados. (...) e tanto artistas de renome como amadores e estrelas do Estado sergipano ganharam o conhecimento do público ao expor seu talento”.[6] Entretanto, desprovido da gerência da UFS e do patrocínio do Governo Federal, os eventos que se realizaram até 2004, com o rótulo FASC, declinaram em programação e público.

A naïf cresceu e sofreu os reveses do Festival de Arte de São Cristóvão, por isso desacelerou sua produção a partir de 1992, e passou um tempo compondo poesias sobre a cidade, sua natureza e cotidiano.

Em 2005, ano que marcou a retomada da parceria da Prefeitura Municipal de São Cristóvão com a Universidade Federal de Sergipe seu nome foi lembrado. Vesta Viana recebeu a comenda Mérito Cultural FASC, dedicada àqueles que contribuíram para criação e, sobretudo, para o sucesso do evento que desde aquele ano não se realiza.


* Historiador, professor, poeta e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). E-mail: thiagofragata@gmail.com Artigo publicado no Jornal da Cidade. Aracaju, 17 e 18/05/2009, p. 6.
REFERÊNCIAS DA PESQUISA
[1] Mas Jorge Amado conheceu São Cristóvão no início de 1930, talvez antes. AMADO, Jorge. O Cacau. São Paulo: Record, 2000.
[2] A Tarde. Salvador, n. 224, 4/4/1970.
[3] Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, n. 609, 24/05/1970.
[4] PEDROSA, Tânia de Maya. (org.) Arte Popular de Alagoas. Maceió: Grafitex, 2000, p. 60.
[5] A Tarde. Salvador, n. 369, 27/8/1976.
[6] SANTOS, Edmilson Menezes. A divulgação do FASC. Cadernos UFS: História. São Cristóvão: PDPH/EDUFS, 1997, p. 9.