quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Maria Thétis, museóloga sim!


Thiago Fragata*

Maria Thétis Nunes, falecida no último dia 25 de outubro, é mesmo uma sergipana que orgulha e envaidece o Estado de Sergipe. Depois de passar pela vida semeando amigos e ensinando os leigos, de produzir dezenas de livros como historiadora, de ser homenageada com biografias as mais diversas, eis que o Museu Histórico de Sergipe reabre suas portas a visitação no dia de hoje com uma novidade: um auditório batizado com o nome Maria Thétis Nunes, a museóloga.

A professora Thétis - como era conhecida de todos - foi aluna de Gustavo Dodt Barroso (1888-1959). Este um dos grandes nomes da museologia brasileira por ter fundado o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, em 1922, instituição que dirigiu durante décadas. Em 1957, a sergipana de Itabaiana matriculou-se no curso daquela instituição, numa turma de 26 alunos, dentre os quais se destacavam Lélia Coelho Frota (poetiza, antropóloga, historiadora e crítica de arte) e Sydney Simons Braga. Apenas este e mais nove matriculados conseguiram o diploma em 8 de janeiro de 1960. Infelizmente, não houve formatura naquele ano porque o homem considerado “Pai da Museologia Brasileira” falecera no dia 3 de dezembro do ano anterior.

Vencedora, sempre vencedora, Thétis conquistou o título de museóloga mas nunca se apresentou ou executou trabalho na área. Nunca foi pegar o diploma, como chegou a segredar certa vez. O curso criado por Gustavo Barroso foi transferido para a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, em 1979, modulando a graduação.

Sem dúvida, a intenção do Governo do Estado de Sergipe, através da Secretaria de Cultura, em homenagear a inesquecível Maria Thétis Nunes é muito pertinente e inovadora. Pois ela formou-se no ano da fundação do Museu Histórico de Sergipe, numa diferença de dois meses apenas! Quem sabe chegou a prosear com Junot Silveira e Jenner Augusto, irmãos que tornaram possível a existência do museu mais antigo de Sergipe.

Enfim, museu é lugar de pesquisa, assim como o arquivo e a biblioteca. A diferença se acha no tipo de fonte de conhecimento. Dessa forma, pensar o Museu Histórico de Sergipe como lugar de pesquisa é a melhor forma de lembrar Maria Thétis Nunes.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: SÁ, Ivan; SIQUEIRA, Graciele. Catálogo de Museus (MHN) 1932-1978: alunos, graduandos e atuação profissional. Rio de Janeiro, UNIRIO, 2007, p. 139 a 141.


[*] Professor especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), coordenador da Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade e Diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS). E-mail: thiagofragata@gmail.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Projeto Conhecendo Nossa História abordará o rio Paramopama


No próximo dia 14 do mês corrente, às 14 horas, no auditório do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, acontecerá mais uma edição do projeto São Cristóvão: conhecendo Nossa História realizado pela Secretaria Municipal de Educação. Na sua quinta edição, o turismólogo Cleverton Costa Silva concederá a palestra "Rio Paramopama: História, problemas e soluções". O projeto discute temas do universo cultural e das potencialidades naturais, tendo como balizas a Educação Patrimonial e a Educação Ambiental. O professor Thiago Fragata, idealizador e coordenador do projeto, esclarece que "embora o público-alvo do projeto seja os professores do município, alunos e comunidade em geral pode e deve participar".

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

São Cristóvão realiza Conferência Municipal de Cultura

Aglaé Fontes explica a proposta da conferência

“Um homem não vive sem ideais, e uma cidade não pode crescer sem estes ideais”. Foram as palavras entusiasmadas da professora Aglaé Fontes, Secretária de Cultura de São Cristóvão e um ícone na cultura sergipana, na Conferência Municipal de Cultura de São Cristóvão, que aconteceu sexta-feira, 30, na cidade.

O encontro que reuniu vários artistas e produtores culturais da cidade buscou sensibilizar os cidadãos são-cristovenses de que eles são os principais responsáveis para a consolidação de São Cristóvão como um patrimônio cultural da humanidade, além de prepará-los para a Conferência Estadual de Cultura que acontece nos dias 3 e 4 de dezembro.

Aglaé Fontes explica que delimitou cinco grupos de trabalho para melhor discutir os temas abordados pela conferência que soa Economia da Cultura; Cidadania e Cultura Simbóloca. “Definimos cinco grupos de trabalho que tratam de Produção Simbólica; Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; Cultura e Economia Criativa e Gestão Institucional da Cultura, para, a partir deles, construirmos uma política cultural eficaz e que alcance a toda a população de São Cristóvão”, assegurou.

Para a Secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, as conferências representam um passo importante para a consolidação das políticas públicas que estão sendo discutidas nacionalmente, sendo uma etapa fundamental para conduzir Sergipe à Conferência Nacional. “O que o Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Cultura está fazendo no momento em que apóia estas conferências municipais, é justamente estimar os municípios para que eles realizem suas conferências e elaborem seus planos municipais de cultura, e para que criem inclusive ferramentas de gestão importantes, como fundos municipais de cultura”, explicou. Outro ponto destacado pela secretária é a importância que as conferências municipais têm para selecionar os delegados que farão parte das comissões estadual e nacional. “A partir destas conferências nós teremos a retirada de delegados para a etapa estadual, que acontece em dezembro, e a nacional, que acontece em março. Então, este é o convite que o poder público faz para que os agentes e produtores culturais possam nos ajudar na condução da política cultual de Sergipe”, enfatizou Eloísa Galdino.

São Cristóvão é a 4º cidade mais antiga do Brasil e tem um rico acervo histórico, e cultural para ser mostrados, são 419 anos de história retratados nas ruas, prédios e no povo desta cidade. Thiago Fragata, diretor do Museu Histórico de Sergipe, afirma que a é muito importante para a cidade mandar um representante para Brasília e lutar por vaga na conferência estadual, pois o município se manterá ainda mais centrado no que diz respeito ao título de Patrimônio Histórico da Humanidade.

“São Cristóvão é um pólo com enorme potencial cultural, seja na arquitetura, folclore, artesanato, artes plásticas, dentre outros. Portanto, as pessoas que fazem a cena cultural do município não podem estar de fora deste processo, principalmente por São Cristóvão ser candidata a Patrimônio da humanidade e precisa estar bem representada”, ressaltou.

Já Jorge dos Santos, líder do tradicional grupo das Taieras da cidade, defende que é preciso proporcionar este conhecimento ao povo são-cristovense para que possa valorizar ainda mais sua cidade. “O povo de São Cristóvão precisa aprender que mora em uma cidade histórica e admirar e respeitar cada vez mais isso. Adquirir conhecimento é a melhor forma de poder passar nossa cultura para as outras gerações e até para as pessoas que visitam nossa cidade”, finalizou.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Turista espanhol elogia praça São Francisco

O senhor Ângelo Rodrigues, espanhol de Cáceres, cidade que é Patrimônio da Humanidade, declara admiração e reconhecimento a candidatura da praça São Francisco. Importantre lembrar que o principal argumento da candidatura é a herança hispânica. O depoimento prova que a luta por São Cristóvão Patrimônio da Humanidade é válida pois Sergipe e o Brasil devem partilhar com o mundo esse bem de valor inquestionável e promissor.

Para Thiago Fragata, coordenador da Comissão Pró-candidatura a Patrimônio da Humanidade, o título será bom para Sergipe e especialmente para São Cristóvão, cidade a procura de alternativa de desenvolvimento, com uma população que precisa acreditar no valor reconhecido por estrangeiros, expressar identidade e amor próprio, pois quem faz a cidade é o povo e não os políticos.

Confira matéria e assista o depoimento do senhor Ângelo Rodrigues: e-sergipe.net

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Comissão otimista com candidatura da Praça São Francisco

Recorte de outdoor de divulgação da candidatura da praça

Por Helmo Goes e Carla Sousa

“O tombamento da Praça São Francisco pela Unesco ajudará Sergipe a finalmente encontrar no turismo uma maneira de vislumbrar progresso e desenvolvimento”. Assim pensa Thiago Fragata, coordenador da Comissão Pró-Candidatura da Praça São Francisco em São Cristóvão a Patrimônio da Humanidade. O resultado da candidatura sai em junho de 2010.

A cidade histórica pleiteia novamente a chancela concedida pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) após não ter sido contemplada na primeira tentativa, no ano passado. A comissão da Unesco recomendou que São Cristóvão fizesse uma série de investimentos para ter direito ao título, recomendações essas que já foram cumpridas em 90%, segundo Fragata. De acordo com ele, basta atender a todas as exigências que a cidade poderá ser contemplada, independente das demais concorrentes.

“Dentre as solicitações da Unesco, nossa única preocupação é com o esgotamento sanitário. Mas já existe um convênio firmado entre a Deso e a prefeitura da cidade para que o serviço seja feito, e o Governo do Estado já está abrindo licitação pública para que possa contratar uma firma que faça o serviço. A nova fiação elétrica subterrânea será entregue agora em novembro, o que vai permitir toda a reconstituição do cenário colonial. O plano diretor de São Cristóvão foi finalmente aprovado e recentemente entrou em vigor. As solicitações atendidas nos deixam muito otimistas”, declara o historiador.

A candidatura da Praça São Francisco atende a três argumentos, um deles é herança hispânica. "Além disso o convento franciscano de São Cristóvão é uma das grandes obras do barroco colonial, e isso já foi referendado por grandes historiadores. Por último, mas não menos importante, a praça perpassou séculos como cenário das manifestações culturais da cidade, tanto por parte da aristocracia, quanto das camadas populares”, destaca ele.

Para o coordenador da comissão pró-candidatura, o tombamento da praça beneficiará a todo o Estado e não apenas ao município histórico. “Sergipe precisa ter no turismo uma das saídas para seu desenvolvimento, portanto o tombamento da praça beneficiará a todos o estado. A chancela dá uma maior probabilidade de atrairmos programas de investimento internacional, e transforma Sergipe em candidato potencial a atrair recursos e parceiros”, acredita Fragata.

Vislumbrando essa realidade, o movimento pró-candidatura, que começou com uma pequena equipe, hoje tem a adesão de diversos parceiros. Thiago Fragata destaca a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) pelo apoio na divulgação da campanha, e acredita que em breve a causa ganhará o Brasil.

A coordenadora do Núcleo de Comunicação Digital da Secom, Maíra Ezequiel, diz que o Governo tem feito sua parte. “Estamos numa tentativa de mobilizar a sociedade principalmente nessas novas redes sociais como Orkut, Twitter, Flicker e o Facebook. Essa é uma causa na qual temos trabalhado com ênfase em todas as mídias, na tentativa de fazer as pessoas entenderem qual é a relevância em participar dessa mobilização”, conta Maíra Ezequiel.

Ela diz também que um dos requisitos para que a candidatura seja bem sucedida é que o governo consiga mobilizar a sociedade civil. “É o papel que o governo tem no processo. Ele atua como o principal mobilizador”, diz.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dia da ação climática em São Cristóvão

Recorte da limpeza do Rio Paramopama em 2008
Foto: José Lúcio

Imbuídos no propósito de chamar a atenção dos líderes mundiais acerca da necessidade de se estabelecer um tratado que reduza os índices de emissão de carbono no planeta, São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil, participará do Dia da Ação Climática com duas ações que irão além do enfoque ambiental.

A Rede Ambiental Ewé Lará: folhas para a vida, proposta pela comunidade de matriz africana Ilê Axé Opô Oxogum Ladê, que conta com a parceria do Núcleo de Estudos Ambientais de São Cristóvão, Instituto de Artes Cênicas de Aracaju (IACEMA), Patrulha Ambiental; Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE) uni-se à Comissão Pró Candidatura da Praça São Francisco à Patrimônio da Humanidade, a União Municipal dos Estudantes de São Cristóvão, (UMESC), Banda Cultura da Senzala e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Cristóvão para realizarem sua ação climática.

O município soma-se agora a Frente em Defesa das Águas de Sergipe, idealizada pelo jornalista Osmário Santos em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e fará a limpeza do Rio Paramopama, patrimônio ambiental afluente do rio Vaza Barris.

A atividade será realizada no Dia da Ação Climática (24/10 - sábado), a partir das 9 horas da manhã, com a concentração da comunidade, organizações ambientais e representantes do poder municipal em frente ao Largo da Ponte. O lixo retirado do Paramopama será elemento para inscrição do número 350, simbólico ao índice considerado, pelos principais cientistas do mundo, o limiar seguro para o dióxido de carbono, medido em partes por milhão (ppm) na atmosfera e que hoje se encontra em 387 ppm.

E não para por ai, São Cristóvão realizará por meio da Secretaria Municipal de Cultura de São Cristóvão e Subsecretaria de Patrimonio (SUBPAC) e dentro da programação do Dia da Sergipanidade (mesma data), a partir das 15 horas, caminhadas pelas ruas do centro histórico que tem como marco de chegada a Praça São Francisco de Assis, candidata a Patrimônio Histórico da Humanidade, onde será feito registro fotográfico da comunidade formando o número 350 também em apoio ao Dia da Ação Climática.

Por meio dessas iniciativas, São Cristóvão e toda sua comunidade demonstram seu comprometimento com a preservação de seus Patrimônios Histórico e Ambiental mas, acima de tudo seu compromisso com a existência do planeta.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Candidatura da Praça atende a critérios da Unesco

Para eleger um local ou região como Patrimônio Histórico da Humanidade, a Unesco estabelece critérios gerais para a nomeação. Em São Cristóvão não podia ser diferente: a Praça São Francisco já atende a vários destes, o que justifica a sua candidatura. De acordo com esses critérios, o bem tem destacado valor universal se for obra mestre do gênio criador humano. Deve também atestar um intercâmbio de valores humanos considerável durante um período concreto da história humana ou alguma área cultural do mundo, nos âmbitos da arquitetura ou tecnologia, artes monumentais, planejamento urbano ou criação de paisagens.

No caso da Praça São Francisco, a candidata se encaixa nesse perfil por possuir história rica e preservada ao longo dos séculos, além de sua arquitetura que traduz o momento de influência da União Ibérica sobre as terras sergipanas. No blog, esse tema já foi tratado em uma entrevista com o secretário de Patrimônio do Governo de Sergipe, Luiz Alberto dos Santos. Clique aqui para ouvir a entrevista.

O Patrimônio Histórico da Humanidade também apresenta como responsabilidade ser um exemplo de associação com acontecimentos e tradições vivas, idéias, crenças ou obras artísticas e literárias que tenham grande importância. A Praça São Francisco é exemplo vivo de um local onde as manifestações espontâneas da cultura popular reúnem-se para suas apresentações. Seja no folclore, que privilegia o espaço como cenário de inspiração, ou nas artes plásticas, a Praça São Francisco estabelece relações íntimas com a cultura do povo, legitimando assim seu processo de escolha perante a Unesco.
FONTE: